Mulheres brasileiras nos esportes de combate Olímpicos: uma discussão através das histórias de vida

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30937/2526-6314.v4.id108

Palavras-chave:

artes marciais, esportes de combate, gênero, histórias de vida, narrativas

Resumo

Com o surgimento dos Jogos Olímpicos (OG) na Era Moderna, percebeu-se uma oportunidade cada vez maior de promover encontros entre países, estimulados pela disputa esportiva. Nesse processo, a participação da mulher brasileira foi reconhecida e reconfigurada, diante de um duplo desafio: ser esportista no Brasil, como mulher. Este estudo tem como objetivo compreender como se deu a participação feminina nos Esportes de Combate Olímpicos (OCS) – Judô, Boxe, Luta Olímpica, Esgrima, Taekwondo e Karatê, notadamente a partir das histórias de vida das atletas. Como procedimento metodológico, esta pesquisa foi realizada a partir dos relatos em Atletas Olímpicos Brasileiros, de Katia Rubio, agregando algumas narrativas trazidas por outros estudos que abordavam a temática da mulher nos OCS. Ao longo da análise, notamos semelhanças e diferenças entre as modalidades. Todas convergem para os importantes desafios que as mulheres têm assumido no processo de conquista de espaços num campo predominantemente masculino, como os desportos em geral ou no domínio das Artes Marciais e Esportes de Combate (MA&CS). A discussão corrobora com grande parte dos achados da literatura, porém é preciso pesquisas que foquem na dimensão pré-reflexiva e corporificada de suas vivências ou no cotidiano de suas práticas, o que nos permitiria apontar se essas diferenças podem ser confirmadas além de seus discursos. Esses aspectos também destacam a necessidade de novas pesquisas sobre as questões de gênero em suas nuances transculturais, raciais e transexuais, assim como em outras MA&CS. Espera-se novos estudos sobre mulheres no esporte, principalmente realizados pelas próprias mulheres e/ou considerando seus relatos, narrativas e vivências, buscando romper um processo histórico em que a ciência e o esporte são feitos por homens, e as mulheres têm desempenhado o papel de objeto ou espectadoras, raramente de sujeito ativo.

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Biografia do Autor

Marcelo Alberto de Oliveira, Universidade de São Paulo

Mestre em Ciências do Esporte pela Universidade de São Paulo (USP, Brasil); Graduado em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, Brasil); cursou Desenvolvimento Internacional através do Esporte na Universidade de Tsukuba (Japão); membro do Grupo de Estudos PULA e do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO), ambos da USP; Treinador da Equipe de Karatê da Faculdade de Direito (SanFran-USP); atua como pesquisador na área de Estudos Socioculturais do Esporte com ênfase em Karate.

Thabata Castelo Branco Telles, Universidade de São Paulo

Pós-doutoranda na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (USP) e no Instituto de Esportes e Ciências da Saúde de Paris (Université Paris-Descartes). Doutora em Psicologia (FFCLRP-USP / FAPESP). Pesquisadora em Filosofia (Fenomenologia) no Arquivo Husserl - Paris (ENS-CNRS / FAPESP), de 2016 a 2018. Possui graduação em Psicologia (UNIFOR / CNPq) e Mestrado em Psicologia (UNIFOR / FUNCAP). É especialista em Psicologia do Esporte pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) e atual presidente da ABRAPESP (Associação Brasileira de Psicologia do Esporte). Seus principais tópicos são fenomenologia; encarnação; psicologia do esporte e do exercício; artes marciais e esportes de combate.

Cristiano Roque Antunes Barreira, Universidade de São Paulo

Possui graduação em Psicologia (1999) e também é psicólogo clínico licenciado (2000) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP e Doutor em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP (2004). Atualmente é Professor Associado (RDIDP) da Universidade de São Paulo, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto e professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia / FFCLRP - USP. De 2005 a 2009 foi professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (USP). Atualmente é Diretor da EEFERP / USP (desde 08/2017) e ex-Presidente da ABRAPESP (2017-2019). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Fenomenologia, atuando principalmente nos seguintes temas: História das Idéias Psicológicas, Ciências da Atividade Física e Corporeidade.

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Publicado

03-11-2020

Edição

Seção

Artigo Original