A estrutura imaginária da derrota no esporte

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DOI:

https://doi.org/10.30937/2526-6314.v7.id166

Palavras-chave:

derrota, competição, psicologia do esporte, esporte e cultura

Resumo

A derrota está para o esporte como a sombra social que paira sobre aquilo que é refutado em um mundo produtivista como a tristeza, a depressão, o recolhimento, a quietude, o silêncio e outras formas de subjetivação que fogem ao frenesi. Como prática discursiva, a derrota é acompanhada de adjetivações que remetem ao que deve ser refutado, impedido ou mesmo negado, uma vez que nenhum atleta treina e compete com a intenção de perder. Na estrutura do esporte contemporâneo observa-se a reprodução do modelo liberal que privilegia a vitória. Isso leva muitas vezes o ganhador da medalha de prata e de bronze a se sentir derrotado, negando um feito digno de registro histórico. Os desdobramentos da derrota não são suficientemente estudados, o que contribui para uma atitude de negação em relação a essa situação tanto por parte de atletas como de profissionais que atuam no universo esportivo. Por outro lado, certas dimensões do imaginário coletivo referentes ao conteúdo do esporte, ou seja, produções compartilhadas socialmente, tendem a relacionar o atleta e a figura espetacular do herói. O objetivo deste trabalho é apresentar uma discussão sobre o imaginário da derrota no esporte contemporâneo, bem como apresentar algumas categorias que classificam resultados adversos, buscando assim contribuir para a compreensão desse fenômeno complexo.

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Publicado

14-01-2023

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Artigo Original