Jogos Olímpicos de Inverno: proposta de periodização, transformações históricas e (des)igualdades competitivas

Autores

  • Raoni Perrucci Toledo Machado
  • Bianca Cristina do Prado Silva

Palavras-chave:

Jogos Olímpicos de Inverno, periodização, distribuição de medalhas, globalização, esporte

Resumo

O presente artigo analisa a evolução histórica e a distribuição de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno, propondo uma periodização em quatro fases: Regionalização (1924–1960), Expansão (1964–1980), Abertura (1984–1992) e Globalização (1994–presente). O objetivo é compreender como transformações políticas, econômicas e institucionais influenciaram a configuração do evento e a concentração de resultados esportivos ao longo do tempo. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e qualitativa, baseada em análise documental e levantamento de dados oficiais sobre participação e desempenho dos países nas edições dos Jogos. Os dados foram organizados e analisados de forma comparativa entre os períodos definidos, buscando identificar padrões de hegemonia, diversificação e redistribuição de medalhas. Os resultados indicam que, na fase de Regionalização, houve forte concentração de medalhas em países europeus e da América do Norte, refletindo limitações geográficas e estruturais. Na fase de Expansão, observa-se aumento do número de países participantes, embora ainda com manutenção da hegemonia tradicional. A fase de Abertura é marcada pela reconfiguração geopolítica decorrente do fim da Guerra Fria, com maior inserção de novos países, ainda que sem alteração substancial na distribuição de medalhas. Por fim, a fase de Globalização evidencia ampliação da visibilidade midiática e do alcance global dos Jogos, acompanhada de relativa diversificação competitiva, embora persistam desigualdades estruturais. Conclui-se que os Jogos Olímpicos de Inverno passaram por um processo de ampliação e complexificação, mas mantêm padrões de concentração que refletem assimetrias históricas no desenvolvimento esportivo global.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Bianca Cristina do Prado Silva

Graduada em Educação Física e Esporte na EEFE-USP, parte do Grupo de Estudos Olímpicos da USP desde 2016 com pesquisas em sociologia, psicologia e feminismo.

Referências

Guttmann A. The Olympics: a history of the modern games. Urbana: University of Illinois Press; 2002.

Rubio K. Jogos Olímpicos da era moderna: uma proposta de periodização. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2010;24(1):55–68.

MacAloon JJ. This great symbol: Pierre de Coubertin and the origins of the modern Olympic Games. Chicago: University of Chicago Press; 2008.

Coubertin P de. Olympism: selected writings. Lausanne: International Olympic Committee; 2000.

Machado RPT. A participação das mulheres olímpicas brasileiras nas modalidades esportivas de aventura até os Jogos de 2012. Olimpianos – Journal of Olympic Studies. 2021;5:13–28.

Findling JE, Pelle KD. Historical dictionary of the modern Olympic movement. Westport: Greenwood Press; 2004.

Britannica. Origins of the Olympic Winter Games [acesso 5 mar 2026]. Disponível em https://www.britannica.com/sports/Origins-of-the-Olympic-Winter-Games

International Olympic Committee. The Olympic Winter Games: factsheet. Lausanne: IOC; 2015.

International Olympic Committee. Olympic Winter Games overview. Lausanne: IOC; 2022.

Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas; 2008.

Marconi MA, Lakatos EM. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas; 2017.

Thomas JR, Nelson JK, Silverman SJ. Research methods in physical activity. Champaign: Human Kinetics; 2012.

Booth D. The field: truth and fiction in sport history. London: Routledge; 2013.

Burke P. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: UNESP; 2010.

Le Goff J. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP; 1990.

Burke P. História e teoria social. São Paulo: Editora Unesp; 2012.

Toohey K, Veal AJ. The Olympic Games: a social science perspective. Wallingford: CABI; 2007.

Chappelet JL, Kübler-Mabbott B. The International Olympic Committee and the Olympic system: the governance of world sport. London: Routledge; 2008.

Tomlinson A, Young C, editors. National identity and global sports events: culture, politics, and spectacle in the Olympics and the football World Cup. Albany: State University of New York Press; 2006.

Roche M. Mega-events and modernity: Olympics and expos in the growth of global culture. London: Routledge; 2000.

Digel H. Comparison of successful sport systems. New Studies in Athletics. 2005;20(2):7–18.

Dawson J, Scott D. Managing for climate change in the alpine ski sector. Tourism Management. 2013;35:244–254.

Scott D, Steiger R, Daniels M. Climate change and the future of the Olympic Winter Games. Curr Issues Tourism. 2019;22(11):1313–1319.

Müller M. What makes an event a mega-event? Definitions and sizes. Leisure Studies. 2015;34(6):627–642.

Preuss H. The economics of staging the Olympics. Cheltenham: Edward Elgar; 2004.

Downloads

Publicado

14-07-2026

Edição

Seção

Artigo Original